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Apagão de Mão de Obra

Retenção de TalentosMuita gente não gosta nem de ouvir falar nisso, mas nós vamos botar o dedo nessa ferida: tá faltando corretor de imóveis no mercado.

Porque será? Vamos analisar algumas situações.

Situação 1: imagine chegar para um advogado e falar o seguinte: “doutor, tenho aqui um caso que vou lhe passar, mas é o seguinte, eu só pago se o Sr. ganhar e vou logo lhe avisando que eu já entreguei esse mesmo caso para mais 15 colegas teus (se fosse possível)… ganha quem for mais rápido, ok?” É de dar risada, não? Nenhum advogado aceitaria isso, aliás nem advogado, nem engenheiro, nem arquiteto, nem a Sirleide, a doméstica que trabalha lá em casa… mas é justamente essa a proposta de trabalho oferecida para a imensa maioria dos corretores e corretoras de imóveis Brasil a fora (hoje talvez 100% dos profissionais trabalham nessa condição);

Situação 2: plantão de imóveis, com 150 corretores, você tem que “pegar a fila” (o rodízio) e muitas vezes atender uma pessoa que entra ali por mera curiosidade. Atende e volta lá para o final da fila. Trabalha de 2ª a 2ª e acaba vendendo 2 apartamentos por ano (algo como R$ 40 mil/ano, e olha lá..);

Situação 3: belo lançamento, por enquanto só na planta, a imobiliária coloca você (e mais um monte) para panfletar na vizinhança.. é isso aí, sol quente e sola de sapato para divulgar o empreendimento na fase de “pré-lançamento”, distribuindo “santinho” em padaria, posto de gasolina, semáforo, e quando chega o lançamento, 80% das unidades já foram vendidas pelos “corretores internos” direto com investidores – você e seus clientes ficam a “ver navios”;

Situação 4: a imobiliária escala você para fazer plantão em lançamento com unidades “micadas” (normalmente o “fim de feira”, aquelas unidades que não foram vendidas no período de maior divulgação – e que não vão ser vendidas tão cedo – mas você tem que ficar lá);

Situação 5: a imobiliária precisa fazer carteira de imóveis e para isso contrata vários corretores que terão que passar por um período mínimo de 3 meses só captando (uma beleza para a imobiliária);

Situação 6: a imobiliária libera o atendimento a clientes, mas se você não cumprir a meta de captação (que ela definiu) não participa do rodizio;

Situação 7: você é autônomo, não tem salário fixo, carteira assinada, férias, 13º, FGTS, plano de saúde, nada, mas é obrigado a cumprir horário, vestir-se de acordo com os padrões da imobiliária, atuar de forma restrita (trabalhar exclusivamente para a imobiliária), usar cartão da imobiliária, assumir que seus clientes “não são seus”, e sim da imobiliária, vestir a camisa e vender o peixe da imobiliária, etc.

Situação 8: a imobiliária acredita que vender imóvel é igual vender pipoca em porta de circo (talvez já tenha sido fácil assim um dia – mas hoje, não mesmo). Corretor é peça de reposição, aliás, como dizem os diretores dessa imobiliária, “melhor que nem sejam corretores” (os novatos costumam questionar menos). Precisam de um gerente para fazer um recrutamento contínuo, alguém para rapidamente repor os que saem todo mês. Esse tipo de imobiliária adotou a filosofia de que para vender imóveis basta ter um bom sistema. Acredita que “vender” é se posicionar (oportunamente) entre um comprador e um vendedor, independe das pessoas e não requer ciência.. é daquelas imobiliarias com 1.000 imóveis por corretor (captação por ficha.. fala sério né..).

….

O que poderíamos colher com essa postura? Mercado desregulado, empresários que sonham ganhar dinheiro fácil e rápido com baixo investimento, e lideranças absolutamente omissas que contribuíram muito com a oportuna “carteira de estagiário em 48 horas”, que colocou muito corretor com “10 anos de casa” para competir na fila com os novatos… o que essa combinação de fatores podia gerar?

É comum os pais fazerem planos para o futuro de seus filhos. Alguns sonham com o garoto se tornando médico, outros se alegram com a possibilidade do filho se tornar um engenheiro, ou um advogado, etc. Algum pai sonha com a perspectiva do filho se tornar CORRETOR DE IMÓVEIS? Não? Se isso não existe, alguma coisa está errada..

E deve estar mesmo. Quem trabalha com recrutamento sabe como está difícil recrutar mão-de-obra. É um apagão. Há algum tempo atrás nós colocávamos anúncios em classificados gratuitos e “chovia” curriculum.. hoje, muitos anúncios tem retorno zero.. eu brinco com os mais chegados que “antes a gente dava palestra para os candidatos interessados em trabalhar no mercado imobiliário, hoje nem entrevista individual está vingando” (de cada 10 horários marcados, em 5 o candidato nem aparece).

Muita imobiliária se convenceu de que a alta rotatividade de corretores é comum, como se fosse uma coisa inerente àquele profissional. Isso já seria um problema em tempos fartos, mas nesses idos de 2011/2012 a coisa não está nem um pouco fácil. Se o mercado retraiu, no quesito vendas de imóveis, a rotatividade de corretores só piora as coisas.

É uma tremenda ilusão achar que corretor é mão de obra barata, descartável, que tanto faz, sai um entra outro. Bobagem. Existe um custo enorme no processo de formação de um trabalhador, e mais ainda, na perda de oportunidades por falta de experiência do profissional. Ninguém lucra com este estado de coisas.

Em algum momento será necessário “cair a ficha” dos empresários – que no “frigir dos ovos” determinam como o sistema funciona – para entender que são necessárias várias ações para melhorar o profissionalismo do corretor de imóveis, entre elas, e sobre todas as outras, a valorização desse profissonal.

Financiamento de curso para novatos, adiantamento de comissões, plano de carreira com impacto nas comissões, investir na formação profissional, melhoria do ambiente de trabalho, respeito ao descanso semanal (que todo trabalhador tem – há quem dê risada disso, como se o corretor de imóveis fosse um cidadão de 2ª classe – tem imobiliária que se orgulha de dar plantão no natal – estilo fazer festa com o chapéu dos outros mesmo..), melhorar condições de trabalho no sentido de exigir um relacionamento mais estreito com compradores e vendedores – imóvel não foi feito para ser vendido no atacado, desenvolver e remunerar adequadamente a função de captador, valorizar a exclusividade, oferecer participação nos lucros da imobiliária, etc., são algumas sugestões para melhorar o panorama atual.

Simplesmente aumentar o volume de anúncios para recrutamento não adianta. Flertar com corretores de outras imobiliárias não adianta. Rezar para que aquele novo gerente que você está contratando já venha com uma equipe (de outra imobiliária, claro) também não adianta.

Empresários em geral precisam acordar para essa realidade e desenvolver estratégias eficazes para recrutar e reter profissionais, sob pena de desaparecerem do mercado.

.

José Ruiz
Gerente Comercial
www.jruiz.com.br

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  • Concordo plenamente ! Isso tem que mudar.

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    • Concordo plenamente, hoje em dia o tratamento é zero para o corretor tem que mudar.
      Vejo muitos de meus colegas irem embora do ramo devido a este fator.

  • Pingback: Apagão de Mão de Obra | TravelSquare()

  • Muitos empresários não se dão conta de que esse é um processo degenerativo.. houve um alento quando a profissão passou a atrair profissionais de nível superior (principalmente entre 2008-2010), mas hoje está havendo um movimento de fuga. Isso vai custar muito caro para imobiliárias, principalmente as grandes, que dependem de várias equipes. O movimento de saída é rápido, mas a formação de novos talentos é muito lenta.

  • Muito bem atual o artigo para todo o Brasil, deveremos nos unir e valorizar a nossa profissão. onde deveria está o CRECI hoje, porém aqui em Natal, só do lado dos grandes empresários.

  • Administrador

    Comentário enviado via formulário::

    Prezado Ruiz, tudo que vc disse está correto, mas faltou alguma coisa como a retenção de comissões, prêmios divididos com gerentes, gerentes que cobram “pedágio” e algumas outras coisinhas.

    Hoje trabalho sózinho e eventualmente vendo lançamentos pois sou cadastrado em várias empresas. Mas já fiquei até 150 dias para receber comissões de grandes empresas do mercado. Uma vergonha. Agora a pergunta que não quer calar: por que o cidadão continua nessa profissão? Se ele tem o CRECI, faça captação e depois tente vender o imóvel. Na minha opinião, tem muito é vendedor (não corretor) acomodado, que fica no plantão contando história e tentando conquistar AQUELA corretora. Então a sua revolta é válida para 30% do contingente de corretores de imóveis. E olha lá! Aguardo um retôrno desta mensagem
    Fique bem.
    (Antonio Carlos de Souza)

    • Olá Antônio,

      realmente existem vários problemas, mas o sentido do meu texto não está relacionado com lançamentos, e sim com o exercício da profissão de corretor de imóveis como um todo. Não se trata de revolta e nem concordo que seja válida para 30% dos corretores: o problema é geral, atinge 100% dos corretores, razão do atual apagão de mão de obra.. O apagão existe porque as pessoas não querem entrar na área, e não querem porque não consideram uma boa alternativa. Aliás, algumas inconsistências da profissão são amenizadas justamente nos lançamentos..

      • Antonio Carlos

        Olá Ruiz
        Quando disse 30% do contingente quiz me referir aos que realmente são profissionais formados e dedicados à profissão. No tempo em que trabalhei para empresas do grupo Brasil Brokers e outros grandes do ramo, eu vi de tudo e mais um pouco. Considerar corretor de imóveis uma pessoa que mal sabe escrever ou manter uma conversação sobre conhecimentos gerais, desculpe-me, mas eu não concordo. Os corretores autônomos não têm essa vida difícil dos plantões. O que vc acha da minha candidatura a deputado para poder legislar em favor dos corretores, visando uma ajuda de custo,tió vale transporte e vale refeição (pelo menos isso).
        Eu gostaria de ver se as imobiliárias iriam Lotar os Stands, tendo que remunerar 40, 50, 80 corretores… Duvido muito que fosse acontecer. Um abraço e continue a fomentar esse movimento para que o pessoal desperte para a realidade. Fique bem.

        • Valeu Antonio, entendi seu ponto de vista, e concordo com ele.. quanto à candidatura a deputado estadual, aqui vai o meu ponto de vista: as soluções só funcionam quando são criadas e implementadas de baixo para cima.. isso significa que o papel de um parlamentar só é interessante sob o ponto de vista da coletividade, quando ele é fruto de um movimento de classe. Ou seja, os corretores precisariam se organizar, retomar o sindicato, eleger a diretoria do CRECI, construir uma rede, enfim, se mobilizar e daí surgir um representante.. todas as tentativas que adotaram o caminho inverso, ou seja, eleger um parlamentar para que ele “defenda” seus eleitores, não funcionaram até hoje.. além disso, vale dizer que um parlamentar pode fazer muito pouco.. é preciso buscar apoio de partidos políticos com história no movimento sindical.. coisa que não soa muito bem aos ouvidos dos corretores, que – infelizmente – acham que estão no andar de cima, normalmente se identificam com pensamentos de elite, não incomum votarem em candidatos da direita..

  • Concordo!!! É terrível essa sensação de ser mão de obra barata e panfletadora de luxo!!! Já fiz tudo isso descrito acima, e sei bem o que é chegar no dia do lançamento e seu cliente ficar chupando dedo e o sentimento de ser um nada!!

    Os corretores devem se unir para reivindicar melhores condições de trabalho, e valorização moral de salarial, pois, se nós não trabalharmos, eles não vão vender e ganhar milhões as nossas custas!!!!

    Se os Incorporadores só pudessem montar um stand de vendas quando o RI já tivesse em mãos, muitos corretores não ficariam trabalhando meses a fio esperando um lançamento que não acontece!!!

    Realmente, essa situação tem que mudar, mas nós corretores temos que mudar nosso comportamento, e não aceitarmos essa imposição do mercado!!! Não é fácil, mas podemos conseguir!!!

    Desempregados tentando a sorte não!!! Somos profissionais qualificados e merecemos respeito!!!

  • Certíssimo, na verdade as grandes empresas preferem ter uma enorme quantidade de tiradores de pedido, do que investir na capacitação do profissional que atua e faz parte de sua equipe. Concordo . Simone Marques . Gerente Comercial Delta Brasil Imóveis.

  • Monica

    Acho que nós, profissionais da área (corretores), de certa forma somos os responsáveis pelos problemas enfrentados. Todos aceitamos essa condição sem questionar.

    Tanto que, o único forum que encontrei informando a real situação foi esse.

    Basta “jogar” no Google e vocês perceberão que não existe nada sobre o assunto, muito pelo contrário, encontrei depoimentos de corretores vangloriando a área.

    Acredito que os profissinais deveriam se unir para reivindicar seus direitos e divulgar mais a real situação.

  • Adriano

    Está faltando, ética, respeito, valorização e compromisso tanto das empresas, pessoas e instituições da classe contratantes de nossos serviços e que vivem num eterno ciclo vicioso de barganha e disputa de poder usando os corretores como massa de manobra e mão-de-obra barata, quanto dos próprios profissionais que assim como muitos, e de outros ramos profissionais, vendem-se por migalhas e prostituem o mercado, caindo na vala comum e vindo a serem tratados como apenas mais alguns no mercado. MUNDANÇA NA LEGISLAÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS CRECIs E COFECI JÁ !!!

  • Faltou acrescentar nessa discussão a incapacidade de renovação do sistema de trabalho. O mercado evoluiu, a internet revolucionou costumes, e as imobiliárias continuam fazendo a mesma coisa que faziam há 50 anos atrás. Tem imobiliária que acha que ficou mais moderna porque contratou um desses sistemas de gestão imobiliária, mas, de fato, continuam fazendo a mesma coisa. Aliás, em alguns casos, até piorou: colocaram notebooks com acesso a internet, mas relevam a consultoria imobiliária (que praticamente não existe mais hoje em dia). O corretor é obrigado a fazer milhares de atendimento com o mais baixo nível de consultoria, simplesmente “pegando” informações de qualquer jeito (por exemplo a avaliação imobiliária – quem faz hoje em dia?). Só que se for para fornecer dados sem qualquer profundidade, sem consultoria, sem “ciência” imobiliária, então não precisa de corretor: a internet está aí, fornece dados para qualquer um, em grande quantidade.. prá que pagar comissão de vendas se a imobiliária não acrescenta nada ao processo?

  • muito bom! precisamos nos valorizar mais fazer igual nos estados unidos la a maioria é respeitada.

  • Administrador

    Via Facebook:: Marta Sueli Centamori Vc já viu corretor de seguros, de plano de saúde trabalhar de graça?Só os corretores de imóveis. E ainda cobram um dia de salário nosso. Que salário?Qual o nosso piso salarial? Até vendedor de carro, de loja tem o mínino e ainda é registrado pela CLT. Sem contar que o corretor credenciado tem que disputar cliente com os estagiários,só vão para as roletas, tentar a sorte em lançamentos. Isso mesmo! Sorte! E acabam tirando o direito do corretor sério de prestar seus serviços e ganhar o pão para levar para seus filhos. Depois de 16 anos Isso doeu! Engraçado né, nos lançamentos oCRECI não aparece.Entendo, tantos lugares para fiscalizar .Gente, corretor também é gente!

  • Não é uma profissão fácil, nada é garantido. As imobiliárias sugam muito, talvez a insegurança do mercado e a falta de garantias empregatícias façam a diferença e afaste a mão de obra.

  • Estou decepcionado, tudo começa com o creci, vendendo uma carteira ilusória, um curso ilusório, tudo para arrecadar dinheiro, formado um monte de corretores, e deixam que eles se explodam, o interesse é a mensalidade…. abraço desculpe a sinceridade……

  • roberto capuano

    Muito bom.Otima analise, retrata a verdade. Muitos corretores foram enganados por falsas promessas. Ao inves de treinamento receberam conversa fiada. O sistema de recrutamento continuo eh cruel e desonesto.
    A empresa deve admitir um numero de corretores proporcional a quantidade de clientes que lhes proporciona.