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Aumentam as apostas no Brasil

Sempre se espera que alguém com uma fortuna de US$ 2,4 bilhões seja distante, avesso à imprensa, de humor contido. Mas Samuel Zell é surpreendente. A começar por sua maneira de se vestir. Esqueça o tradicional terno e gravata. Na semana passada, ele visitou empresários brasileiros vestido com jeans, camisa branca, paletó bege e um boné laranja. Isto mesmo. Um boné com as iniciais de seu império, o Equity Group.

Aos 65 anos, Sam Zell é o maior investidor imobiliário dos EUA e o 112º homem mais rico do mundo. Suas empresas são donas de nada menos que 225 mil apartamentos e de 120 milhões de metros quadrados de escritórios. E agora este filho de judeus poloneses, que vive em Chicago, colocou o Brasil no foco das atenções. A ponto de considerar o país “um dos mercados mais interessantes do mundo”.

Sem ninguém perceber, Zell colocou seu pé no Brasil há alguns anos, quando o fundo americano de private equity Acon adquiriu o controle da rede de supermercados G. Barbosa, no Nordeste. O nome do megainvestidor não aparece em nenhum lugar. Mas é ele o acionista majoritário da rede. No ano passado, nova investida. Adquiriu 32% da incorporadora imobiliária Gafisa, inaugurando seus investimentos nesse setor no Brasil. Pagou US$ 55 milhões (R$ 135 milhões). Meses depois, reduziu a participação a 27,7% e apenas com essa venda recuperou tudo o que aplicou. Hoje, a fatia que detém na Gafisa vale R$ 670 milhões.

Ainda este mês, Zell deve anunciar um novo investimento no país, por meio da Bracor, empresa que ele criou no Brasil. Diz apenas que é um imóvel que será depois alugado a uma empresa.

O Brasil é sua grande aposta depois do México, onde entrou em 2002 ao comprar uma participação da Homex por US$ 32 milhões. No fim do ano passado, essa participação valia US$ 350 milhões. A investida na América Latina é uma forma de compensar em parte os resultados não tão animadores de duas de suas empresas nos Estados Unidos, a Equity Residential e a Equity Office Properties Trust.

Zell começou a investir em imóveis há mais de 40 anos, quando ainda era estudante de direito na Universidade de Michigan. Enxergou nos apartamentos degradados oportunidade para fazer dinheiro. Anos depois, ganharia o apelido de “Gravedancer” (dançarino das covas), por sua habilidade em comprar ativos que os outros consideravam mortos. Entre 2002 e 2004, adquiriu bônus de empresas em dificuldades, com a perspectiva de se tornar sócio em uma reestruturação de dívidas. Bingo!

Fora dos EUA, costuma fazer negócios em parceria com sócios locais. Sempre tem um contato cara-a-cara antes de fechar um acordo. Orgulha-se de ser uma das pessoas mais viajadas do mundo. “Facilita o fato de ter meu próprio avião, com cama.” Nas férias, gosta de esquiar e de andar de moto com seu grupo, o Zell’s Angels. Esse é um cara realmente surpreendente.

(Especial – São Paulo – Raquel Balarin e Carolina Mandl – 04/07/06)

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