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Cartão aluguel da CEF: era para ser uma boa notícia

Recém-lançado pela Caixa Econômica Federal (CEF), o Cartão aluguel chegará ao mercado com a promessa de substituir as demais modalidades de fiança. Hoje, as mais comuns, segundo o Secovi Rio, são o fiador, o depósito, e o seguro-fiança que, apesar de ter registrado um forte crescimento, ainda pesa no bolso (cerca de 1,2 aluguéis por ano).

O inquilino que optar pelo cartão pagará uma anuidade de R$ 96 (a ser quitada em 12 prestações de R$8) mais taxa de manutenção de 6,67% ao mês. Assim, quem tem contrato de mil reais, pagará R$ 1.067 mensais, o que, ao fim de um ano, representará um encargo de R$ 804. Somados aos R$ 96 da anuidade do cartão, esse custo representará 90% do valor do aluguel.

Renda mínima exigida será de mil reais – O cartão será oferecido nas bandeiras MasterCard e Visa, na modalidade internacional. Além de oferecer a linha de aluguel, ele funcionará como um cartão de crédito comum, podendo ser utilizado para a realização de compras em estabelecimentos comerciais. Dessa forma, o cartão terá dois limites independentes: o limite aluguel e o limite rotativo.

Segundo o vice-presidente de pessoa física da Caixa, Fábio Lenza, a proposta do novo cartão é propiciar mais agilidade e modernizar o processo de locação. Os critérios para análise de crédito, diz, serão os mesmos já adotados para a aprovação do cartão de crédito. Hoje, segundo o Secovi Rio, o Índice de Velocidade de Locação (que mede o período médio que os imóveis demoram para ser alugados) é de 38 dias.

“A idéia é oferecer segurança e agilidade à operação, a um custo competitivo. Será como comprar, por exemplo, uma TV em 12 vezes. Ao usar o cartão pela primeira vez, as parcelas seguintes constarão automaticamente das próximas faturas”, explica.

A expectativa do banco é de que o novo produto já esteja disponível em todo país a partir do mês que vem. Por enquanto, o projeto piloto ficará restrito a quatro imobiliárias, de São Paulo e de Goiás.

Tendência que poderá ser seguida por outros bancos – Para o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), Pedro Wähmann, a novidade é bem-vinda num mercado onde a procura por locação aumenta a todo vapor.

“A idéia de se criar uma nova garantia é muito saudável. Hoje, com a estabilização da economia, há muito mais gente com condições financeiras de alugar um imóvel. E muitos ainda esbarram em exigências que não conseguem cumprir, como achar, por exemplo um fiador que tenha mais de um imóvel. É claro que ainda é cedo para atestar a funcionalidade do cartão, mas acredito que, com o tempo, serão feitos ajustes”, afirma Wähmann, para quem a iniciativa da CEF deverá ser seguida por outros bancos.

A proposta inicial do cartão aluguel (lançada há mais de 1 ano atrás) era diferente do que está sendo apresentado agora. Partiu de uma solicitação do Creci-SP para a implantação de um seguro-fiança social que atendesse a uma parcela da população que não dispõe de garantias para alugar um imóvel. Entretanto, quem tiver um aluguel de R$ 500, terá que pagar anualmente R$ 496,20. Como provavelmente o cidadão será obrigado a ter uma conta na CEF, esse custo ultrapassará os 100% de um aluguel… O que tem de social nisso?

No final das contas, as empresas de seguro-fiança vão reajustar seus preços (para torná-los compatíveis com o cartão-aluguel) e tudo ficará como antes, à exceção da abertura desse filão para “novos exploradores” (bancos e administradoras de cartão de crédito).

Por outro lado, a frase do vice-presidente da Caixa, Fábio Lenza, beira o escárnio: não é como comprar uma TV em 12 vezes! A TV é um item acessório, eu compro se quiser (posso inclusive economizar e pagar à vista) e no final ela é minha. Fiança locatícia eu sou obrigado a pagar (se quiser ter onde morar – gênero de primeiríssima necessidade) e o patrimônio vai para o cofre do banco.

Alegremente apresentado por gestores do governo, o cartão-aluguel era para ser uma boa notícia… para o povo brasileiro…

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