Últimas Notícias
Home / Cidades / Clima mudou no macroeixo Rio-São Paulo

Clima mudou no macroeixo Rio-São Paulo

São José dos Campos – ConChuvas em São Luiz do Paraitingasiderado o maior aglomerado urbano existente na faixa subtropical do planeta, o macroeixo Rio-São Paulo mostra que fatores externos estão afetando drasticamente seu clima. Os verões apresentam tempestades mais violentas, com grande volume pluviométrico, e as temperaturas oscilam em largas faixas nos termômetros.

Para os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as cidades do interior situadas dentro do macroeixo são despreparadas para enfrentar esses problemas oriundos das mudanças climáticas pontuais.

São José dos Campos e Campinas, além de Taubaté, e Jacareí, no trecho paulista, como Resende e Volta Redonda, na porção fluminense, estão entre as áreas mais críticas.

Segundo o pesquisador e mestre em Planejamento Urbano do Inpe, Edmundo de Carvalho, anomalias antes concentradas principalmente na capital paulista estão se expandindo para outras localidades, conforme as cidades crescem de maneira acelerada e desordenada.

“Isto está gerando imensas ilhas de calor que modificam o microclima e o regime de chuvas na região mais habitada do Brasil, elevando muito as tempestades violentas, além de essas águas encontrarem grandes áreas de solo impermeabilizado por asfalto e concreto”, diz o cientista.

Apesar de o maior impacto desta anomalia climática criada por interferência humana se concentrar na região metropolitana de São Paulo, e que agora vai para o interior, a frequência de desastres naturais tem aumentado de forma exponencial nos últimos anos, como as enchentes que destruíram São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, ou a catástrofe na serra fluminense.

Pesquisadores do Inpe foram os primeiros a identificar essa transformação no clima na porção mais Atlântica do Brasil.

A primeira conclusão é que isto vem ocorrendo devido à alta concentração de cidades nessa região, onde se encontram 80% da população brasileira. A antiga área de domínio da Mata Atlântica, que vai da costa litorânea até em média 200 a 300 quilômetros continente adentro. Esse é o trecho que mais preocupa.

As tempestades ficaram mais fortes e violentas nos últimos anos e a tendência é ter esse quadro agravado com a intensificação do aquecimento global e a alteração em macroescala advinda desta transformação do clima do planeta. Até mesmo o inverno está com um comportamento singular no sul e no sudeste do Brasil, alternando períodos de intenso frio, neve e geada em diversos pontos, com veranicos muito quentes.

A distribuição demográfica irregular do Brasil se tornou o mais novo problema climático a ser enfrentado em escala nacional. A maioria das cidades brasileiras ocupa a porção continental voltada para o Oceano Atlântico e tem formado um aglomerado urbano com grande interferência no clima desta região.

“Temos notado a tendência de as tempestades ficarem mais fortes, e a urbanização é o fator mais decisivo para esse fenômeno”, comentou o chefe do Laboratório de Descargas Elétricas Atmosféricas (Elat), Osmar Pinto Júnior.

Nos estudos desenvolvidos pelo Elat, a anomalia das grandes tempestades passou a ser notada na última década, e agora tem merecido estudos especiais. As chuvas se intensificaram em cidades que ultrapassam a faixa dos 500 mil habitantes e em áreas de conurbação, como as cidades que se situam dentro do eixo Rio-São Paulo.

Numa análise prévia que antecede estudos mais aprofundados, foram escolhidas três primeiras cidades paulistas com grande desenvolvimento urbano. Neste cenário de pesquisa foram destacadas São Paulo, Campinas e São José dos Campos. As duas cidades do interior, além de terem uma alta concentração populacional, também se encontram em áreas de conurbação com alto potencial de adensamento demográfico.

O pesquisador e mestre em Planejamento Urbano e regional, Edmundo de Carvalho, endossa as observações do Elat. As ilhas de calor, o volume de poluentes dispersos na atmosfera, e a expansão desordenada das cidades, associados à supressão da Mata Atlântica, transformaram drasticamente o regime de chuvas nesta faixa. “O processo de urbanização agravou esse fenômeno do ciclo hidrológico e isto começou a ser percebido em observações técnicas em 1946”, revelou o especialista.

O Inpe já identificou que na última década houve um aumento de 18% das grandes tempestades sobre o território nacional, percentual cuja maior parte se concentra na faixa leste.

“Precisamos ver o motivo disto, se está ligado ao modelo econômico de produção que incha essa porção leste do Brasil. Não se pode conceber que uma cidade que tinha 100 mil habitantes na década de 80 chegue ao ano de 2010 com 700 mil habitantes sem que isto cause um imenso impacto ambiental”, argumentou o geólogo e especialista em sensoriamento remoto do instituto, Paulo Roberto Martini.

Fonte: DCI

Sobre Administrador

Veja também

Especulação imobiliária em articulação com o sistema

Não é de hoje que a população brasileira, em especial os moradores das grandes cidades, …