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Compras frenéticas na internet

Impulsionado pelo aumento das vendas de computadores e pela popularização do acesso à internet, o comércio eletrônico brasileiro vem crescendo em ritmo acelerado. Neste primeiro semestre, as lojas virtuais registraram um crescimento de 49% em seu faturamento, desempenho oito vezes melhor que o registrado pelo varejo tradicional. A partir do próximo ano, esse ritmo deve ganhar ainda mais força, com a entrada de pelo menos três gigantes do varejo no mercado on-line. Segundo analistas, a concorrência de tradicionais empresas como Carrefour, Wal-Mart e Casas Bahia deve impulsionar ainda mais as vendas e beneficiar o consumidor, com uma maior oferta de produtos e preços mais baixos.

 

No ano passado, o setor faturou R$ 4,4 bilhões. Caso a previsão de R$ 6,4 bilhões para este ano se concretize, o crescimento irá superar a casa dos 45% no ano. De acordo com analistas do setor, esse ritmo de expansão deve continuar por pelo menos três anos, o que elevará o faturamento do comércio eletrônico para algo entre R$ 14 bilhões e R$ 17 bilhões em 2010. “O comércio eletrônico no Brasil deixou de ser um negócio experimental para ser um grande negócio para as empresas”, afirma Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit, que pesquisa as tendências do setor.

O segmento já responde por 2% de todas as vendas feitas pelo varejo brasileiro. Nos Estados Unidos, onde esse tipo de negócio é bem mais tradicional, a fatia das lojas virtuais não ultrapassa os 5%. Apesar do crescimento, ainda existe uma forte concentração no mercado virtual. Há em operação no país cerca de 2,7 mil lojas na internet – aí computadas apenas aquelas que permitem ao consumidor realizar todo o procedimento de compra, incluindo o pagamento, pelo computador. No entanto, 80% do faturamento do setor está nas mãos das 20 maiores lojas. “A concentração é brutal”, afirma o consultor do Comitê de Varejo Eletrônico da Câmara E-Net, Gastão Mattos.

Existem hoje no Brasil cerca de 32 milhões de internautas. Desses, 13% têm acesso à conexão por banda larga. Até o final do ano, a expectativa é de que sejam 33,9 milhões de potenciais consumidores virtuais, com a fatia da banda larga crescendo para algo em torno de 18%. Segundo Pedro Guasti, o consumidor virtual está passando por uma mudança de comportamento. “Há cada vez mais gente confiando em comprar pela internet. E as pessoas estão comprando produtos mais caros, não apenas livros, CDs e DVDs”, acredita. “Há cada vez mais gente rompendo a barreira da confiança e comprando pela internet. O setor continuará com forte crescimento, independentemente do desempenho da economia como um todo” avalia Gastão Mattos.

Três novos e fortes concorrentes

A partir de 2008, o comércio eletrônico brasileiro ganhará três concorrentes de peso: Carrefour, Casas Bahia e Wal-Mart. O caso mais emblemático é o das Casas Bahia, que tem sua clientela concentrada nas classe C e D. “O presidente do grupo, Samuel Klein, sempre descartou a criação de uma loja virtual. Ele costumava dizer que preferia vender para os 90% de brasileiros que estavam fora da internet”, relembra Pedro Guasti, da e-bit. Agora, a empresa pretende iniciar as operações virtuais quando atingir um total de 4 milhões de cartões de crédito próprios (hoje são 2,5 milhões), o que deve ocorrer até o final do ano que vem. Toda a estrutura do site já foi desenvolvida.

Outro gigante que vai fincar sua bandeira no comércio eletrônico é o Carrefour. A rede francesa de hipermercados começará a vender pela internet produtos não-alimentares a partir de meados do próximo ano. O foco central serão os eletroeletrônicos, as novas vedetes do comércio virtual. “Não basta apenas entrar nesse mercado, que tem características distintas do varejo tradicional. É preciso entrar e atender à demanda do consumidor eletrônico, com logística, boa oferta de produtos e uma política de preços agressiva”, anuncia Alexandre Ribeiro, diretor de Serviços do Carrefour no Brasil.

Até o final deste ano, o Carrefour começa a vender pacotes turísticos pela internet. Em meados de 2008, o endereço www.carrefour.com.br, hoje um site institucional, será transformado em uma grande loja virtual, focada na venda de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e outros bens de consumo duráveis. Alimentos e bebidas ficarão de fora. A rede vai aproveitar a sinergia entre as lojas tradicionais e a virtual, o que possibilitará a negociação de grandes lotes de produtos com fornecedores, a preços mais baixos. Além disso, as 7 milhões de pessoas que possuem o cartão Carrefour terão vantagens e descontos para comprar no site do grupo.

“Para o Carrefour crescer mais no comércio brasileiro, precisamos colocar o pé no mundo virtual. É inevitável”, afirma o executivo. O Brasil é o terceiro país onde o grupo francês venderá pela internet – já há operações semelhantes na França e na Espanha. Um número mostra o potencial da multinacional. Segundo pesquisas internas, um em cada cinco brasileiros que já fizeram pelo menos uma compra on-line são clientes Carrefour. Algo em torno de 1,6 milhão de pessoas que são fregueses do hipermercado e já estão acostumadas a comprar pela internet. Na avaliação de Pedro Guasti, da e-bit, a concorrência deve beneficiar o consumidor. “São grandes varejistas, que irão balançar a concorrência, pois têm a vantagem competitiva de já possuir uma vasta clientela em todo o país”, afirma.

Quem já atua no comércio eletrônico não se incomoda com a nova vizinhança. O pontoFrio.com, por exemplo, vem crescendo em um ritmo acima do mercado, de 60%. As vendas pela internet já representam 7% do faturamento total do grupo. “Nosso site é a maior loja da rede”, compara Antonio Machado, diretor-executivo de Operações de Canais do Ponto Frio. Para ele, há espaço para todos nesse mercado. “São os mesmos concorrentes do mundo real que agora estão expandindo seus negócios para a internet. A lógica da competição é a mesma do varejo tradicional, a diferença é que a velocidade é muito maior. Na internet, o consumidor não precisa bater perna para procurar o menor preço”, ressalta.

Quarta maior loja de comércio on-line do país, a comprafácil.com responde por 50% do faturamento total do Grupo Hermes, um atacadista que desde 1942 vende produtos por meio de catálogos. “Já tínhamos toda a estrutura para venda a distância, até que decidimos entrar na internet, em 2003. Começamos timidamente, mas o negócio cresceu fortemente”, afirma o diretor-superintendente do Grupo Hermes, José Rochinha. Segundo ele, o site representou 30% do faturamento obtido pelo grupo no ano passado, percentual que hoje está em 50%. “A partir de 2008, nossa loja virtual se transformará no principal negócio do grupo”, comemora.

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