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Construção faz corrida por certificado “verde”

Ecologicamente corretoEm meio à competição acirrada no mercado imobiliário brasileiro, cresce a procura por um maior número de certificações sustentáveis como estratégia de valorização imobiliária. É o que apontam as duas principais certificadoras do mercado, a organização não-governamental (ONG) Green Building Council (GBC) e a Fundação Vanzolini, que também estão negociando projetos de certificação de estádios nas cidades-sede da Copa do Mundo.

Atuante no Brasil há seis anos, o Green Building Council (GBC) certificou mais de 30 mil empreendimentos nos Estados Unidos, em onze anos de existência. Trouxe ao Brasil o certificado Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) e desde setembro tem 210 empreendimentos em fase de certificação e 19 certificados. Até o final do ano, espera alcançar 300 processos.

“Desses projetos, a maior parte, 49%, é de projetos de incorporação comercial. São Paulo é o estado que mais procura: tem 138 projetos de certificação”, informa o engenheiro Marcos Casado, gerente técnico de Leed do GBC. Para o especialista, o maior número de informações pe o que também gera demanda pelas consultas de projetos nesse perfil imobiliário.

“Em geral, a procura pela certificação acontece por causa do conhecimento dos inquilinos, que acabam pedindo empreendimentos com esse diferencial. Empresas que constroem e administram o empreendimento também procuram pela redução de custos que a certificação traz para a operação”, afirma.

Enquanto a construção fica de 2% a 7% mais cara por utilizar materiais certificados, a operação pode ter redução de até 30% graças a uma construção arquitetônica projetada para ter um consumo de água e luz eficiente e redução de perdas na construção.

Um exemplo é o edifício Vargas, instalado no Estado do Rio de Janeiro, que foi certificado na categoria mais alta, denominada Categoria Platinum.

O projeto envolve, segundo especialistas, uma espécie de proposta com retrofit, ou seja, uma reforma que visa à atualização do imóvel.

“O projeto já nasceu com conceito de certificação. Tivemos de fazer diversas operações, como comprovar a compra de material certificado que, por sua vez, deveria ser comprado de um fornecedor próximo à obra, além de incluir no projeto itens para consumo eficiente de água e da iluminação, bicicletário, telhado verde. Chegamos à certificação máxima”, diz Marcos Guimarães, gerente de Contrato da Lafem Engenharia, empresa responsável pela execução do projeto, que teve redução de 30% do custo operacional do condomínio.

A partir desse projeto, a empresa começou a se interessar muito pela certificação e se afiliou ao GBC. “A empresa cresceu muito: temos um braço imobiliário, diversos projetos de retrofit e essa é uma demanda que vem dos clientes.” De acordo com o executivo, é claro que adotar produtos assim gera alguma diferença no desenvolvimento do projeto. “Aumenta um pouco o custo da obra, mas gera muitos ganhos de custo condominial. E agrega muito para vencer a concorrência, por que ajuda a ganhar clientes e dá visibilidade à obra.”

A Fundação Vanzolini, sem fins lucrativos e mantida por professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), desenvolveu há dois anos a Certificação Aqua, que é baseada no francês HQE (Haute Qualité Environnementale) e reconhecida internacionalmente por diversas entidades certificadoras no mundo:França, Alemanha, Inglaterra, Finlândia, Itália e Estados Unidos. Inclui parâmetros técnicos, regulamentações e normalização técnica nacional.

A entidade tem 33 empreendimentos em processo de certificação, 28 emitidos (em fase de concepção, programa e operação) e 15 já certificados. São escolas, comércio, meios de hospedagem, cultura, lazer e bem-estar e habitacional. “O processo do Aqua começou em abril de 2008. Este ano, registramos alta de 250% em certificação de empreendimentos. Temos alguns lançamentos previstos para indústrias, bairros sustentáveis e hospitais”, diz Bruno CasaGrande, responsável pelo Desenvolvimento de Negócios da certificação Aqua.

Embora a entidade não confirme, está negociando com bancos e seguradoras incentivos a empresas que certificarem empreendimentos com o Aqua, como a concessão de linhas de crédito facilitadas e seguros de obras e usuários com prêmios e valores reduzidos. A expectativa é que as parcerias sejam anunciadas até o fim do ano.

O certificado tem duração de até 12 meses e engloba etapas de desenvolvimento do projeto e de execução de obras. Para mantê-la após a obra, é preciso fazer a certificação de uso-operação, cuja metodologia está em fase piloto na Fundação Vanzolini. “Há conscientização maior por parte de empreendedores, além da demanda de mercado. As pessoas querem casa mais confortável e passam a exigir isso dos empreendedores. Os que não estão exigindo uma ação, terão empreendimentos defasados.”

Copa do Mundo

A divulgação da norma Green Guide, uma espécie de manual com boas práticas que o empreendedor deve seguir para fazer a construção dos estádios que sediarão o mundial de futebol da Fifa no Brasil, está impulsionando a certificação dos estádios, embora não exija uma certificação. O GBC registrou quatro estádios para obter o selo -Manaus, Brasília, Cuiabá e o Mineirão- e está aguardando o registro do pedidos dos estádios de Salvador, Natal, Recife e do Maracanã.

A Fundação Vanzolini também lançou no Brasil uma certificação para arenas e complexos esportivos. “A Fifa reconhece o Aqua, temos um processo para arenas multiúso, e temos 4 propostas que estão sendo analisadas”, diz Bruno CasaGrande.

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  • ao comprar um apartamento em um prédio com o certificado verde o futuro proprietário fica azul de raiva, poxa o preço chega a um horror, o governo deveria dar um subsídio para quem compra-se este tipo de empreendimento, dessa forma os construtores teriam mais pique para fazer este tipo de empreendimento.