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Crise do capitalismo e a bolha imobiliária brasileira

Bolha de crédito

Bolha imobiliária, bolha de crédito e crise do capitalismo

Muita gente não se dá conta, mas estamos passando por uma transformação em níveis planetários.

O capitalismo, tal qual o conhecemos – com sua roupagem neoliberal, esse mesmo que é defendido pelos conservadores brasileiros, está chegando ao fim, implodindo. E não será um pouso tranquilo.

Porque? Bem, como já era previsto, a concentração de renda alcançou níveis insustentáveis, sendo que hoje – 2015 – 1% da população do planeta tem mais riqueza do que os 99% restantes. É um sistema que atende tão poucos interesses que se tornou insustentável. Além do mais, existe uma gigantesca bolha de crédito, prontinha para explodir.

A cada dia, às custas de um rico mais rico, inexoravelmente produzimos milhares de novos pobres. Se isso ainda não lhe afetou, aguarde que sua vez chegará (sim, vc está entre os 99% mais pobres).

Vou dar um exemplo de como esse sistema funciona e como ele afeta a sua vida: recentemente nos EUA, um “herói capitalista”, chamado Martin Shkreli, ex-operador de bolsa de valores, teve uma ideia brilhante: comprou a patente de um remédio essencial para o tratamento da AIDS, e no dia seguinte aumentou seu preço em 5.000%. Uau! Você consegue imaginar a montanha de dinheiro que será transferida das pessoas para esse cara? (mesmo de quem não tem AIDS, porque os governos acabam sendo obrigados a comprar esses remédios, ou seja, seus impostos vão parar no bolso do sujeito aí).

Agora imagine as big corporações trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, para desenvolver novas estratégias que aumentem sua lucratividade (traduza por: ganhar mais e gastar menos, padrão represa da Samarco – Vale do Rio Doce em Mariana/MG).

Tente entender o que se passa na cabeça dos líderes de uma empresa “trilionária” como a Sadia, que rachou de ganhar dinheiro nos últimos anos, e mesmo assim coloca água em um frango que vai ser vendido, na maioria das vezes, para pessoas pobres (interessante, vários vídeos sobre casos assim “sumiram” da WEB, restou esse).

Você faria isso para ganhar mais dinheiro? Se a resposta foi “não”, sinto lhe dizer, mas prospera hoje o perfil de “humano” que responderia “sim” a essa pergunta.

Isso é o capitalismo. Na verdade sempre foi assim. As coisas se precipitaram em função da ganância excessiva dos “homens”, sobretudo aqueles que são proprietários de bancos.

Hoje, as corporações que controlam o mundo são maiores do que os governos. Não fosse isso, 2008, maior crash desde 1929, não teria sido tão indecente para a raça humana, e depois de pagar a conta da jogatina dos ricos, teríamos – pelo menos – regulamentado o mercado de capitais, de forma a proteger um pouco mais as pessoas.

Mas nada disso foi feito e de lá para cá as coisas pioraram. O mundo vive uma crise sem precedentes, e exatamente por conta disto, estamos às vésperas de uma mudança, que virá por meio de um novo pacto global, ou por meio de uma guerra mundial. Não se iluda, isso não é prognóstico de Mãe Dinah, está acontecendo agora.

E no Brasil, tem crise?

Como tem.

Mas sem entender esse contexto mundial de implosão de um sistema e o parto de uma nova era, é impossível discutir “Brasil”, já que, além de sermos profundamente conectados às economias que hoje estão ruindo, somos protagonistas dessas mudanças através dos BRICS.

Se você analisar as variáveis que compõem o perfil econômico de um país, verá que a ideia de que o Brasil vive uma crise econômica sem precedentes, com inflação alta, desemprego, fuga de capitais, etc., não encontra respaldo na realidade. Os números não dizem isso. Pelo contrário: relativamente falando, (ainda) estamos indo bem, a estrutura econômica do país é sólida (veja o que diz o Nobel de Economia, Paul Krugman). (Nota: é provável que tenhamos um natal tão ou mais aquecido do que no ano passado, e basta andar pelos aeroportos brasileiros para perceber que essa crise medonha que a mídia prega é mentirosa – na verdade faz parte de uma estratégia para reduzir o seu salário, mas isso é assunto para outro artigo).

Essa relativa “folga” que temos acontece porque na última década, a exemplo de outros países latinos, abandonamos pelo menos parte do receituário neoliberal (que conhecemos na era FHC) e investimos na inclusão social e na distribuição de renda. 2008 virou “marolinha” no Brasil, o país passou praticamente incólume, enquanto o mundo derretia.

Durante o governo Lula, mais de 30 milhões de pessoas ascenderam socialmente. Durante o governo Dilma o Brasil saiu do mapa da fome.

É possível ser contra essas conquistas?

Depende.

A “banca” não concorda com essa política. Os donos do mundo querem “políticas de austeridade”, exatamente como impuseram à Grécia (na verdade, em toda a Europa) e aqui no Brasil através dos “ajustes fiscais” da Dilma e Levy.

O modelo de estado forte que intervém na economia e adota políticas sociais como instrumento de desenvolvimento nunca foi bem vindo pelos defensores do neoliberalismo. O “mantra” dessa turma sempre foi o “estado mínimo”.

Daí a necessidade de destruir os feitos da última década, jogar uma pá de cal em cima, ou o mundo “vai descobrir” que o caminho sustentável passa pela justiça social, o que não combina com a exploração de doentes terminais e outras coisinhas próprias do capitalismo selvagem.

O “capital” entende que é preciso matar essas conquistas, levar o povão de volta para a miséria, devolver os carros para as fábricas, como sugeriu o autor de novelas Aguinaldo Silva (na verdade, uma alegoria que representa muito bem o que pensa a elite brasileira).

E nesse sentido, para se defender, escalou o que tinha de pior em nossa sociedade.

Temos atualmente o pior congresso da história do país, presidido por um “impensável” Eduardo Cunha, com uma enorme lista de processos na justiça, com contas ilícitas comprovadas no exterior, e que recebeu uma “Carta de Solidariedade” de nada menos do que 230 parlamentares brasileiros (estamos tão anestesiados, a ponto da maioria das pessoas não perceber como isso é absurdo).

Eduardo Cunha é um politico tão ruim, mas tão ruim que teve a incrível capacidade de fazer o povo brasileiro sentir saudades do Severino Cavalcanti.

É escandalosamente constrangedor ver políticos com extensa ficha criminal pedindo o impeachment da presidente Dilma. Pior: esses caras, que custam uma fortuna para o país, passaram todos os 365 dias de 2015 trabalhando contra o Brasil.

Aliás, que fique registrado: a hipocrisia atingiu níveis aburdos em todo o mundo. A atuação de países ocidentais, além de Israel e Arábia Saudita, no Oriente Médio e norte da África chega a ser bizarra. Se aqui temos corruptos tentando cassar uma presidente legítima, lá temos assassinos de crianças posando de bom moço para as telas da TV!

O petróleo é nosso!

Além do desenvolvimento com inclusão social, e do alinhamento com os BRICS, tivemos o “azar” de descobrir o pré-sal, avaliado hoje em mais de R$ 30 TRILHÕES, e não param de achar novos poços.

É uma riqueza que atraiu a cobiça externa. Estamos na mira do império. É escancarado o ataque criminoso à nação.

Desconfio que tem gente na folha de pagamento da CIA tentando destruir a Petrobrás. (tem político brasileiro tentando tirar o pré-sal do Brasil.. sabia que procuradores brasileiros levam documentos da Petrobrás aos EUA para fundamentar processos contra a empresa?).

A mídia bombardeia sua cabeça diuturnamente com as palavras “crise” e “corrupção” para esconder o desmonte que está sendo feito na indústria brasileira, sobretudo nas empresas que compõe a cadeia de produção do petróleo, algumas entre as maiores empreiteiras do mundo, com prejuízos bilionários e milhares de empregos perdidos.

Ou seja, apesar do Brasil ter uma estrutura sólida, manter em seus cofres cerca de U$ 400 bilhões em reservas, ter muito petróleo, agricultura e indústria fortes, podemos sim sofrer grande revertério com a sabotagem que enfrentamos dentro do país, com o clima de irresponsabilidade que domina o cenário político: a política tem força para contaminar a economia, na verdade, isso já está acontecendo.

Existe crise no mercado imobiliário?

A resposta a essa pergunta não é tão óbvia quanto parece.

O mercado brasileiro não é homogêneo. Sem medo de errar, posso citar aqui pelo menos 3 segmentos distintos para imóveis residenciais: o mercado do Minha Casa Minha Vida (a classe “C”), o mercado da classe média (média/alta) e o mercado de luxo (sem prejuízo para outros nichos, além de outras abordagens).

As pontas vão muito bem, obrigado.

O mercado do Programa Minha Casa Minha Vida está aquecido, porque existe uma demanda gigantesca atrelada a uma política de governo que controla os preços dos imóveis através dos limites de financiamento. Moleza.

O mercado de imóveis de luxo está bombando. Atualmente o Brasil é um dos maiores “celeiros” de novos ricos no mundo. Imóvel de luxo não encalha. Tudo tranquilo, por enquanto..

Agora, a classe média tá lascada.

Tem muita gente do mercado dizendo que não existe bolha imobiliária no Brasil, que o volume de financiamento em relação ao PIB é pequeno, que os financiamentos são seguros, tem uma teoria relacionada com o consumo per capita de cimento, essas coisas..

Bem, eu sempre discordei dessas teorias. Para mim, bolha é uma alta de preços não justificável sob o ponto de vista econômico. E isso aconteceu sim no Brasil. Sobretudo com os imóveis da classe média.

De 2009 até 2012 nós vivemos um “ôba, ôba” no mercado imobiliário de envergonhar o criador da Lei de Gerson.

O que teve de apropriação de recurso público e direcionamento de políticas para as “elites” foi impressionante.

Nenhuma capital brasileira cumpriu a Lei (Estatuto da Cidade), donos de terras urbanas “meteram a mão”, o interesse público foi relevado e muito plano diretor foi escrito por construtora, depois votado de madrugada para não chamar a atenção.

Todo mundo viu isso. Inclusive a classe média, que lê jornais, sabe do que estou falando.. (mas não vai faltar quem me chame de louco e diga que isso nunca existiu).

Um frenesi

Lançamentos eram vendidos na planta em questão de horas para os “Gersons” ganharam uma grana em poucos meses.

Teve lançamento que até chegar na mão do “comprador final” (aquele que realmente vai morar no imóvel) já tinha passado por 3, 4, 5 “investidores”, inclusive “corretores de imóveis”. E a cada “passada” o preço recebia um “plus”.

Isso chama-se especulação imobiliária. Combinada com o “crédito farto” e nenhuma regulamentação (dou risada quando me dizem que o mercado se auto-regula), fez apartamento padrão de 3 quartos com 80 m2 ultrapassar R$ 1 milhão.

Oras, não tem como manter esse ritmo. Esse preço está fora da realidade e será corrigido, exatamente o que está acontecendo agora.

A diferença, como eu já dizia em 2012, é que no Brasil a bolha não estoura, ela murcha (excessão, talvez, para o Rio de Janeiro, que em função das Olimpíadas, ainda infla preços, mas já com grande dificuldade, e talvez sofra um processo de “esvaziamento” mais “radical” porque “esticou demais a corda”).

Essa é uma dinâmica própria da economia: o preço está fora da realidade e será corrigido ou não terá mercado.

Bolha das Salinhas

Outro fenômeno do mercado é a Bolha das Salinhas.

Sempre existiu uma dinâmica cíclica no mercado de imóveis comerciais: a falta de imóveis eleva os preços, atrai investidores e estimula a construção, as construtoras identificam e respondem rapidamente essa demanda, a super oferta derruba os preços e param de construir para queimar o estoque e se abre um novo ciclo.

Mas nos últimos anos, esse ciclo foi turbinado por um aumento exagerado de preços. Chegamos a ter no Brasil um metro quadrado de imóvel comercial mais caro do que em Nova Iorque.

Em 2013 o Shopping Iguatemi em São Paulo entrou na lista dos imóveis com o metro quadrado mais caro do mundo.

Se você comparar os custos de produção do Brasil com de outros países ou também a variação do custo de produção dentro do país (essencialmente mão de obra e material de construção), vai concluir que o “valor agregado” nos últimos anos foi uma exorbitância, ainda que em muitos casos o que pesou foi o valor do terreno.

O resultado dessa “alta” pode ser visto em qualquer grande cidade do país: milhares de imóveis comerciais encalhados.

O que esperar do Mercado Imobiliário?

O que acontece na economia brasileira é reflexo, em grande parte, do que acontece na economia mundial.

E nesse momento, acho que poucos economistas no mundo arriscam prever o que vai acontecer na economia mundial no curto, médio e longo prazo.

O que se encontra na WEB são previsões do FMI, que representa a banca, e está preocupadíssimo com o que vai acontecer em 2016. Mas não vamos nos esquecer de que o FMI precisa (desesperadamente) transmitir otimismo.. muitos papéis podem virar fumaça em questão de horas em um ambientes, digamos, mais negativos. E a maior parte da “riqueza” que circula no planeta não passa disso: papel.

Eu sou otimista e acredito que a raça humana ainda conseguirá encontrar o caminho da sustentabilidade.

Só não pode demorar muito, porque 1% da população ter patrimônio maior do que os 99% restantes já é um sinal de chegamos ao limite.

Seja como for, não acredito que essa mudança aconteça sem nenhuma “dor”, sem que algumas fortunas, sobretudo as construídas sobre o crédito, simplesmente desapareçam.

Para o mercado imobiliário, duvido que haja uma retomada da variação positiva dos preços dos imóveis.

De acordo com esse ponto de vista, o imóvel que você tem hoje não vai se valorizar no curto e médio prazo, talvez se manter, sofrendo pequena corrosão inflacionária (dê “graças a Deus” se essa previsão se confirmar).

Isso se durante essa travessia os “eduardo cunha” da vida não detonarem o país. Uma quebra institucional agora certamente nos levaria a um buraco muito profundo, de onde levaríamos algumas décadas para sair.

 

Sobre José Ruiz

Blogger, Corretor de Imóveis, editor do Fórum Imobiliário, especialista em Marketing Digital. Perfil de Twitter e Facebook abaixo: dá uma passadinha lá..

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