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Economistas negam existência de bolha imobiliária no Brasil

A expectativa de elevação da massa de renda da população, acompanhando o ritmo dos preços dos imóveis no país, afasta o mercado imobiliário brasileiro das características clássicas de formação de bolha. É o que defende o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados.

Ele argumenta que, comparando o cenário doméstico com a bolha hipotecária vista em 2008 nos Estados Unidos, em que o preço das casas crescia num ritmo muito mais rápido que o da renda dos americanos, o Brasil está longe de uma crise dessa magnitude. “Não temos dúvidas de que não há bolha e de que provavelmente não teremos uma bolha no futuro.”

Segundo estudos da consultoria, o crescimento médio anual da massa de renda real dos brasileiros foi de cerca de 8% no período de 2002 a 2008, e a expectativa é de expansão para os próximos anos, se forma que não há sinal de desaquecimento da demanda. De acordo com Mendonça de Barros, até 2016, a nova classe C terá uma demanda potencial por quase 1,5 milhão de imóveis.

Para o economista Sérgio Vale, também da MB Associados, o dinamismo da economia brasileira nos próximos anos será diferente daquele predominante no Nordeste, onde a transferência de renda para as famílias se destaca. Ele acredita que o crescimento nos próximos anos será liderado pelo Sudeste, com os investimentos advindos, por exemplo, de Copa do Mundo, Olimpíadas e pré-sal.

Desta forma, não há perspectiva também para desaceleração dos preços de imóveis, que segundo Mendonça de Barros, são considerados adequados para o setor. “Os valores vão continuar subindo, mas o processo de crescimento de massa de renda vai absorver isso.”

Ele não afasta o efeito da especulação nesse mercado, mas argumenta que no caso de uma explosão dos preços as vendas sofreriam impacto, o que levaria à necessidade de uma revisão dos valores. “Nesse caso, não há hipótese de um efeito manada colocando em risco a economia”, prevê.

O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antônio França, prevê que o crédito imobiliário corresponda a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2011.

Dados da entidade mostram que os atrasos superiores a 90 dias nos financiamentos vêm mostrando desaceleração, de 3,07% em 2008 para os atuais 2,52%. Em junho, o percentual médio de financiamento em relação ao valor total dos imóveis comercializados corresponde a 61,9%, o que para Vale é um patamar considerado saudável e que mostra a disposição dos agentes financeiros de atender a demanda por crédito imobiliário.

O nível de regulamentação financeira é o principal fator macroeconômico apontado pelos economistas para afirmar que o Brasil não correrá no futuro o risco de ser afetado por bolhas.

“Nosso mercado imobiliário teve a oportunidade de ver o estrago que uma bolha faz”, lembra, ressaltando que o nível de alavancagem dos bancos aqui é muito mais controlado, e que não se compara com as práticas do mercado financeiro americano.

Além disso, ele destaca que lá, a explosão do crédito a taxas flexíveis foi muito rápida, enquanto no Brasil, o juro elevado não proporcionaria um crescimento nessa proporção.

Sérgio Vale explica que, diferentemente do caso americano, equilíbrio econômico e regulamentação financeira podem conter os efeitos do estouro de uma bolha.

Ele cita como exemplo recente o mercado imobiliário chinês, em que os preços de imóveis de luxo e comerciais cresciam vertiginosamente. Em abril, o governo forçou a redução dos preços, mas a forte desvalorização não resultou em crise econômica.

Fonte: G1

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