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Marina Silva: Minha Casa Minha Vida vai acabar

Alegria de banqueiroVai vendo.. nesse artigo eu falei sobre a certeza de estouro da bolha imobiliária em um (suposto) governo de Marina Silva, e agora vamos mostrar como a candidata dos banqueiros pretende detonar o crédito e fazer o mercado imobiliário retroceder umas 2 décadas, especialmente para quem depende do Programa Minha Casa Minha Vida.

Na página 60 do programa de governo da Marina (apresentado em vários trechos com plágio do programa do PSDB, tipo CTRL C + CTRL V) está um detalhe que vem fazendo banqueiros racharem de rir: ela vai liberar os bancos do compromisso de aplicar no mercado imobiliário.

Os bancos deixariam de ser obrigados a disponibilizar em crédito imobiliário recursos da caderneta de poupança. Poderiam deixar uma parte – ou tudo – dentro de sua Tesouraria, rendendo juros, para citar apenas uma possibilidade.

Na prática, trata-se de uma medida capaz de bagunçar todo o sistema habitacional popular do País. É que, por crédito direcionado, o que se tem são as obrigações dos bancos, públicos e privados, de destinar percentuais de seus investimentos para linhas de financiamento previamente estabelecidas. Especialmente, as de amplitude social.

Alegria para os banqueiros, tristeza para o povo

Num país onde os bons humoristas se aposentaram, mudaram de profissão ou foram desta para melhor, imagino que os banqueiros não devem lembrar-se de nenhum momento mais adequado para dar boas gargalhadas de felicidade como a campanha de 2014.

Vejo três razões principais.

Alegria de banqueiroA primeira é que Marina Silva, candidata a presidente dos banqueiros, está em boa posição nas pesquisas eleitorais e tem boas chances de vencer a eleição num país que hospeda a 7ª maior economia do planeta. Só isso já seria um motivo de alegria, considerando que nos últimos 12 anos o país atravessou o mais amplo programa de distribuição de renda de sua história e as taxas de juros, ainda que estejam em patamares convenientes para o rentismo, se encontram no patamar mais baixo em duas décadas.

Depois de refugar um pouco, a candidata já disse que apoia a autonomia do Banco Central, uma barbaridade do Estado mínimo que saiu de moda depois de 2008, quando a maior crise em 80 anos mostrou que o emprego do cidadão comum e o futuro das famílias são questões sérias demais para ficar nas mãos dos banqueiros.

Alegria de banqueiroA segunda razão é que ninguém percebeu qual é o verdadeiro plano da candidata para os bancos brasileiros. Quem chegar a página 61 do programa de Marina Silva vai descobrir. Claro que ela fala em reduzir impostos e prometer outras facilidades há muito reclamadas por aquele pessoal que, no início dos século passado, usava fraque e cartola para ir ao trabalho. Mas isso não é o principal. Ela quer acabar com o crédito direcionado, em nome, claro, da necessidade de livrar a economia de entraves burocráticos que ninguém sabe para que servem mas condena mesmo assim porque é bonito falar essas coisas.

Crédito direcionado é aquela parte dos depósitos bancários que deve ter uma finalidade social. Não podem ser emprestados pela máxima taxa de juros que o banco conseguir arrancar de seu cliente. Deve ser oferecido a juro mais barato e ser empregado para investimentos de reconhecido valor para a sociedade.

Por exemplo: 65% dos recursos da poupança não podem ser gastos à vontade pelo banco, mas usados para o crédito imobiliário. Com o fim do crédito direcionado, chegamos ao regime de farra total. É por isso que a turma não pára de rir.

Só para você ter uma ideia. Em 2008, quando a crise mundial explodiu, nosso crédito direcionado atingia a módica quantia de 1,8% do PIB. Em 2013, o volume era de 8,2% do PIB. O que se passou entre um número e outro foi o Minha Casa Minha Vida que, neste período, entregou e contratou perto de 3,5 milhões de casas para a população de baixa renda.

Alegria de banqueiroO terceiro motivo para rir é que, mesmo acabando com o crédito direcionado, a campanha de Marina Silva fala em aumentar o Minha Casa Minha Vida para 4,4 milhões. Quer nos fazer acreditar que será possível cortar a principal fonte de recursos baratos e aumentar os gastos em 50%.

Essa é a verdadeira anedota: como todo governo com um programa onde as contas não fecham e os meios não concordam com os fins, seu destino é o fracasso. Mas aí, riem os banqueiros, os votos já foram contados e será tarde demais.

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Fontes:
Brasil 247
Paulo Moreira Leite

Sobre José Ruiz

Blogger, Corretor de Imóveis, editor do Fórum Imobiliário, especialista em Marketing Digital. Perfil de Twitter e Facebook abaixo: dá uma passadinha lá..

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