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Mercado imobiliário pode entrar em crise

A primeira semana do ano foi repleta de notícias interessantes sobre como anda o mercado imobiliário brasileiro. A meu ver, as notícias novamente reforçam a tese que tenho desenvolvido desde o fim de 2009 de que estamos vivendo a formação de uma bolha imobiliária, cujos efeitos podem ser bastante perversos para nossa economia e para quem está especulando com o preço dos imóveis sem ter condição de cumprir sua obrigação satisfatoriamente.

Muitas das notícias, aliás, chegaram a mim em comentários de nossos leitores, aos quais agradeço pela importante contribuição.

A primeira notícia foi publicada na Revista Exame no dia 03/01/2011, e aponta uma estabilização no preço dos imóveis, depois do forte crescimento visto nos últimos anos. A revista menciona ainda pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), segundo a qual houve queda de 3,53% no preço dos imóveis usados, além de uma queda expressiva de 25,6% no número de imóveis usados comercializados.

Outra matéria interessante foi publicada pelo Correio Braziliense dia 05/01/2011. A reportagem noticia que os bancos brasileiros estão sendo apoiados pelo Banco Central para aumentar a concessão de crédito imobiliário. Segundo a matéria, os financiamentos receberão mais de R$ 100 bilhões ao longo do ano, cerca de 50% a mais do que o volume total de 2010. Além disso, a Caixa Econômica Federal estaria buscando no exterior mais recursos para injetar no setor.

A meu ver, as duas notícias são relacionadas. Com a diminuição do ritmo do crescimento dos preços dos imóveis, o setor já está dando sinais de que a demanda por novas unidades imobiliárias já não é tão forte quanto há dois ou três anos. Um dos motivos para a diminuição da demanda é justamente a falta de recursos para que as pessoas possam comprar a sonhada “casa própria”. A aquisição de um imóvel próprio é o sonho de praticamente todos os brasileiros, sendo muitas vezes o único investimento que muitas pessoas fazem ao longo de toda a sua vida.

Assim, se o ritmo de crescimento dos preços está se estabilizando ou até diminuindo em alguns casos, é preciso desconfiar da falta de dinheiro na mão das pessoas para adquirir sua casa à vista ou, ao menos, pagar a entrada e financiar o restante.

Acredito que o governo pretende justamente evitar que o mercado imobiliário se desaqueça, injetando ainda mais dinheiro para a concessão de novos financiamentos. Com isso, é até possível que o ritmo de valorização dos imóveis possa subir novamente. O lado negativo desse movimento é que, provavelmente, os novos financiamentos serão muito mais arriscados para as instituições financeiras, já que boa parte deles se destinará a beneficiar quem não tinha dinheiro para adquirir suas casas anteriormente.

Por que o governo faz isso? Porque, como na Espanha, interessa aos nossos governantes que a situação permaneça assim. Com o mercado imobiliário aquecido, o setor de construção civil emprega mais pessoas (não é a toa que estamos com os níveis de desemprego mais baixos de nossa história recente), paga mais impostos, possibilitando que o governo aumente ainda mais seus gastos, e ainda eleva a popularidade dos governantes. As pessoas ficam felizes por estarem empregadas e por “poderem” comprar a casa própria.

Tudo fica bem enquanto as pessoas estiverem pagando seus financiamentos. Mas o que acontece quando a demanda por novos imóveis diminuir ao ponto de a concessão de mais crédito não levar ao aumento do poder de compra? Afinal, com a elevação dos preços, eleva-se também o custo do financiamento para o comprador. É cada vez mais necessário financiar uma quantidade maior de recursos para poder comprar o mesmo imóvel. No limite, os preços estarão tão altos que ninguém poderá financiar os valores.

Não duvido que o governo mantenha ainda por algum tempo a política de conceder mais e mais crédito para o setor, ou mesmo que comece a flexibilizar as regras para os financiamentos imobiliários. Aos poucos, estamos seguindo, passo a passo, o que aconteceu nos Estados Unidos, na Espanha e na Irlanda. Pelo visto, não aprendemos nada com a segunda maior crise financeira da história. A única coisa que ainda não fizemos foi inventar derivativos lastreados no crédito imobiliário, mas todo o resto estamos fazendo — aumentar o crédito imobiliário a tal ponto que os preços dos imóveis estão chegando a patamares irreais.

Duvida do meu ensaio apocalíptico? Tudo bem, eu não quero que você confie na análise econômica de um bacharel em Direito metido a filósofo. Mas leia o que um economista tem a dizer sobre a questão. Do texto de Luciano D’Agostini, discordo apenas da conclusão de que uma bolha no setor imobiliário brasileiro não teria efeitos sistêmicos graves em nossa economia. Mas leia e tire sua própria conclusão.

Fonte: www.opequenoinvestidor.com.br

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